Olhos negros e brilhantes,
olhos profundos.
Enormes, atentos, imensos...
Maiores que o mundo.
Olhos que tudo percebem,
olhos que percebem tudo:
desde a intenção mais óbvia,
até o incrível absurdo.
Olhos que escutam, que farejam,
que percebem a imensidão do mundo,
e bebem as suas mágoas
num gole profundo.
Olhos negros que procuram
a essência da vida,
ainda que ela
esteja escondida.
Eu te digo, olhos negros,
livre de qualquer artifício:
apaixonar-se é fácil demais;
Amar é muito difícil.
Bukowski, Stravinski e Paulo Leminski - Julio Cesar Gentil
Entre Bukowski e Stravinski;
eu sou brasileiro, sou mestiço,
um virginiano inconformado...
Assim como o Paulo Leminski.
eu sou brasileiro, sou mestiço,
um virginiano inconformado...
Assim como o Paulo Leminski.
A Planta, a Gata, a Folha e o Vento... (para Solange Dias) - Julio Cesar Gentil
Eu gosto de plantas,
como tem vento
e uma gata cai da janela.
Estou quase sendo indiciada
por homicídio culposo.
Agora estou sem plantas,
na janela, o tempo passa...
A direção do vento é adversa,
mas continua a ventar.
As folhas se desprendem dos galhos
e perambulam pelas ruas da cidade,
as mesmas folhas.
Eu gosto da Nina Simone,
ela é a árvore da música, ou o vento.
A folha é a folha.
A Nina Simone é o sopro da música.
A folha solta ainda flutua pela cidade:
livre, leve e segura de qualquer tropeço.
A folha, a planta, a gata e o vento,
sabem que o fim também pode ser um começo.
como tem vento
e uma gata cai da janela.
Estou quase sendo indiciada
por homicídio culposo.
Agora estou sem plantas,
na janela, o tempo passa...
A direção do vento é adversa,
mas continua a ventar.
As folhas se desprendem dos galhos
e perambulam pelas ruas da cidade,
as mesmas folhas.
Eu gosto da Nina Simone,
ela é a árvore da música, ou o vento.
A folha é a folha.
A Nina Simone é o sopro da música.
A folha solta ainda flutua pela cidade:
livre, leve e segura de qualquer tropeço.
A folha, a planta, a gata e o vento,
sabem que o fim também pode ser um começo.
O Arremesso do Poema Boomerangue - Julio Cesar Gentil
(uma homenagem ao poeta Paulo Leminski)
Eu quero um poema atômico, um poema meteórico...
Eu quero um poema vulcânico,
um poema hídrico, aquático...
Eu quero um poema marítimo,
um poema oceânico, rítmico...
Eu quero um poema que se mova
com acrobacias de boomerangue
e a certeza múltipla de três.
Eu quero o às, a dama, o rei...
E a angústia de um jogo incerto
pelo capricho das cartas que não vieram.
Eu não quero só um poema:
eu quero três!... Quero seis!...
Eu quero um poema transitório,
efêmero, móvel, veicular...
Um poema que eu o arremesse
e ele retorne para as minhas mãos.
Eu quero um poema vulcânico,
um poema hídrico, aquático...
Eu quero um poema marítimo,
um poema oceânico, rítmico...
Eu quero um poema que se mova
com acrobacias de boomerangue
e a certeza múltipla de três.
Eu quero o às, a dama, o rei...
E a angústia de um jogo incerto
pelo capricho das cartas que não vieram.
Eu não quero só um poema:
eu quero três!... Quero seis!...
Eu quero um poema transitório,
efêmero, móvel, veicular...
Um poema que eu o arremesse
e ele retorne para as minhas mãos.
Se não fosse a chuva... - Julio Cesar Gentil
Eu estou em casa a ouvir o barulho da chuva
que queda em gotas primorosamente compostas
por uma mão divina que lava o meu telhado
e vaza por um filete de inspiração em minha alma.
A lágrima que escorre pelo canal/sentimento
me orienta para mais um momento de escritura,
onde a criatura é o próprio criador
e o criador é a outra criatura.
que queda em gotas primorosamente compostas
por uma mão divina que lava o meu telhado
e vaza por um filete de inspiração em minha alma.
A lágrima que escorre pelo canal/sentimento
me orienta para mais um momento de escritura,
onde a criatura é o próprio criador
e o criador é a outra criatura.
Mordiscar - Julio Cesar Gentil
Mordiscar, mordida de amor,
morder o ar...
Mastigar o beijo...
(Mordente desejo)
Morder. Beijar...
Beijar... Morder:
morder de amar!
morder o ar...
Mastigar o beijo...
(Mordente desejo)
Morder. Beijar...
Beijar... Morder:
morder de amar!
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