N’um dia posso ser vários...
Em outro quase nenhum.
O mundo está lotado
de pessoas tão comuns.
Eu posso ser o poeta
do que a vida me cantou...
Já paguei muita promessa,
nada me adiantou.
Prossigo quase sem pressa...
Não sei se vou, ou não vou,
mas piso firme na terra,
deixo marcas onde estou.
Sou da Paz, detesto guerras,
pois a arma de um poeta
sempre será uma flor.
Um Poema Noturno - Julio Cesar Gentil
A noite acende as suas luzes
e os meus olhos brilham...
Eu quero a noite hoje,
hoje a noite, eu quero a noite.
Eu quero mergulhar na escuridão da noite:
sem rumo determinado,
sem encontros marcados
e ouvir a música que eu não imagino.
Entrar num bar, poder me inebriar
e até imaginar que controlo o meu destino...
Mas quando o sol surgir com a alvorada,
eu quero vomitar a madrugada,
acordar e sonhar que estou dormindo...
e os meus olhos brilham...
Eu quero a noite hoje,
hoje a noite, eu quero a noite.
Eu quero mergulhar na escuridão da noite:
sem rumo determinado,
sem encontros marcados
e ouvir a música que eu não imagino.
Entrar num bar, poder me inebriar
e até imaginar que controlo o meu destino...
Mas quando o sol surgir com a alvorada,
eu quero vomitar a madrugada,
acordar e sonhar que estou dormindo...
A Borboleta Leonor - Julio Cesar Gentil
Eis que se abre o casulo
e num momento de esplendor,
bate as asas a voar
a borboleta Leonor.
Ela sai do galpão escuro
pela greta da janela
e voa por cima do muro,
a borboleta amarela.
A borboleta amarela
que se chamava Leonor,
voava maravilhada
e pousava de flor em flor.
Ela batia suas asinhas
e estava feliz da vida.
Na floreira da varanda
pousou sobre a margarida.
Deu dois beijinhos na flor
e voou para outro lugar,
mas no meio do caminho
viu a flor do maracujá.
Ela ficou apaixonada
pela florzinha singela.
Deu-lhe um beijo e saiu a bater
as suas asas amarelas.
A borboleta Leonor
estava encantada com o mundo
e sentia uma alegria
despertada lá do fundo...
Do fundo do coração
da borboleta Leonor,
que voava satisfeita
de uma flor para outra flor.
Um doce perfume suave
atraiu a borboleta,
que encontrou no alpendre
um vaso de violetas.
Quando uma borboleta
pousa sobre uma flor,
ali se estabelece
uma relação de amor.
A borboleta Leonor
continuou a voar...
E sentia os aromas
de outras flores pelo ar.
Quando a Leonor repousou
sobre as pétalas da onze-horas
um suave odor perfumou
os rumos da sua estória.
Ela voava deslumbrada,
a acrobática borboleta,
e esqueceu, a desnaturada,
que é filha da mãe-natureza.
A borboleta foi a larva
que do casulo nasceu
e agora batia asas
no mundo que Deus lhe deu.
Ela voa, voou, voava...
A voadora donzela,
e refestelava pelo ar
as suas asas amarelas.
Quando achou ter ganho o céu,
foi o fim do seu caminho.
A borboleta virou alimento
no bico do passarinho
que voou de papo cheio,
p’ro conforto do seu ninho.
P.S.: O poema, “A Borboleta Leonor”, não foi criado por mim. Ele foi criado pela própria borboleta que ao sair de dentro de um galpão escuro, numa manhã luminosa de primavera, contou-me toda a sua estória enquanto esvoaçava pelo ar as suas asas amarelas.
Eu apenas escrevi o poema e dei um nome à borboleta.
e num momento de esplendor,
bate as asas a voar
a borboleta Leonor.
Ela sai do galpão escuro
pela greta da janela
e voa por cima do muro,
a borboleta amarela.
A borboleta amarela
que se chamava Leonor,
voava maravilhada
e pousava de flor em flor.
Ela batia suas asinhas
e estava feliz da vida.
Na floreira da varanda
pousou sobre a margarida.
Deu dois beijinhos na flor
e voou para outro lugar,
mas no meio do caminho
viu a flor do maracujá.
Ela ficou apaixonada
pela florzinha singela.
Deu-lhe um beijo e saiu a bater
as suas asas amarelas.
A borboleta Leonor
estava encantada com o mundo
e sentia uma alegria
despertada lá do fundo...
Do fundo do coração
da borboleta Leonor,
que voava satisfeita
de uma flor para outra flor.
Um doce perfume suave
atraiu a borboleta,
que encontrou no alpendre
um vaso de violetas.
Quando uma borboleta
pousa sobre uma flor,
ali se estabelece
uma relação de amor.
A borboleta Leonor
continuou a voar...
E sentia os aromas
de outras flores pelo ar.
Quando a Leonor repousou
sobre as pétalas da onze-horas
um suave odor perfumou
os rumos da sua estória.
Ela voava deslumbrada,
a acrobática borboleta,
e esqueceu, a desnaturada,
que é filha da mãe-natureza.
A borboleta foi a larva
que do casulo nasceu
e agora batia asas
no mundo que Deus lhe deu.
Ela voa, voou, voava...
A voadora donzela,
e refestelava pelo ar
as suas asas amarelas.
Quando achou ter ganho o céu,
foi o fim do seu caminho.
A borboleta virou alimento
no bico do passarinho
que voou de papo cheio,
p’ro conforto do seu ninho.
P.S.: O poema, “A Borboleta Leonor”, não foi criado por mim. Ele foi criado pela própria borboleta que ao sair de dentro de um galpão escuro, numa manhã luminosa de primavera, contou-me toda a sua estória enquanto esvoaçava pelo ar as suas asas amarelas.
Eu apenas escrevi o poema e dei um nome à borboleta.
Mórbido Perfume - Julio Cesar Gentil
Com os pés a pisar na triste terra
num caminho perdido, par em par,
a alma reconta o que a morte soterra
e a memória não cansa de lembrar.
Céu estrelado... Álgido luar.
Flores que brotam em pedras e troncos,
sensibilizam os seres mais broncos
e adornam um cenário tumular.
Flores lilases, lírios amarelos...
Elementos funéreos, taciturnos,
dos mortos que habitam cemitérios
vivendo a dormir um sono profundo.
Nada no mundo lhes trará a lume!
Mortos são mortos, o resto é perfume...
num caminho perdido, par em par,
a alma reconta o que a morte soterra
e a memória não cansa de lembrar.
Céu estrelado... Álgido luar.
Flores que brotam em pedras e troncos,
sensibilizam os seres mais broncos
e adornam um cenário tumular.
Flores lilases, lírios amarelos...
Elementos funéreos, taciturnos,
dos mortos que habitam cemitérios
vivendo a dormir um sono profundo.
Nada no mundo lhes trará a lume!
Mortos são mortos, o resto é perfume...
Poema da Plenitude Suprema - Julio Cesar Gentil
Eu quero apenas o meu melhor verso
que proclame no ar o que não foi dito
e faça brotar no fundo do íntimo
as flores do sentimento mais terno.
Danço no cosmo, meu dom é eterno...
Pretendo arrancar do tempo o saber,
guiar-me na luz da paz do meu ser...
Suar os verões, sorver os invernos.
Saborear os aromas etéreos
e conduzir o mundo por um fio,
com as mãos de quem não teme o desafio
e arrasta pela vida os seus mistérios,
mas vejo que o futuro me oferece
tudo aquilo que a minha escrita tece.
que proclame no ar o que não foi dito
e faça brotar no fundo do íntimo
as flores do sentimento mais terno.
Danço no cosmo, meu dom é eterno...
Pretendo arrancar do tempo o saber,
guiar-me na luz da paz do meu ser...
Suar os verões, sorver os invernos.
Saborear os aromas etéreos
e conduzir o mundo por um fio,
com as mãos de quem não teme o desafio
e arrasta pela vida os seus mistérios,
mas vejo que o futuro me oferece
tudo aquilo que a minha escrita tece.
O Desmembramento da Palavra - Julio Cesar Gentil
Óh, palavra! Vagas solta...
Estimulando os teoremas
pelos sons que tu ecoas
através de tenazes fonemas.
A concepção de atuais gramáticos
indica a exclusão dos tremas,
enquanto poetas dramáticos
se desgastam em longos poemas...
E manifestam suas intenções,
transformando-as em sóbrios dilemas.
Expressam inquietações
com nefastos semantemas.
Para tentar amenizar o drama,
ou camuflar seus problemas,
eles deitam com flavas damas,
mas sonham com lindas morenas.
Acordam com a cara amassada,
com a alma rasa... Pequena...
Gritam com a boca fechada
e sofrem líricas penas.
Estimulando os teoremas
pelos sons que tu ecoas
através de tenazes fonemas.
A concepção de atuais gramáticos
indica a exclusão dos tremas,
enquanto poetas dramáticos
se desgastam em longos poemas...
E manifestam suas intenções,
transformando-as em sóbrios dilemas.
Expressam inquietações
com nefastos semantemas.
Para tentar amenizar o drama,
ou camuflar seus problemas,
eles deitam com flavas damas,
mas sonham com lindas morenas.
Acordam com a cara amassada,
com a alma rasa... Pequena...
Gritam com a boca fechada
e sofrem líricas penas.
A Piracema - Julio Cesar Gentil
A forte correnteza dessas águas
em que a vida inteira nadei contra
afogou por completo as minhas mágoas
no céu d’um novo dia que desponta.
Eu sigo a minha vida por um rio
e escapo de terríveis predadores,
carrego a solidão das minhas dores
no destino que a vida proferiu
ao peixe que conhece o seu caminho
e nada contra a força da corrente
do rio que já não é seu oponente,
mas parte da grandeza do carinho,
que afaga com domínio natural
as marcas desse mundo colossal.
em que a vida inteira nadei contra
afogou por completo as minhas mágoas
no céu d’um novo dia que desponta.
Eu sigo a minha vida por um rio
e escapo de terríveis predadores,
carrego a solidão das minhas dores
no destino que a vida proferiu
ao peixe que conhece o seu caminho
e nada contra a força da corrente
do rio que já não é seu oponente,
mas parte da grandeza do carinho,
que afaga com domínio natural
as marcas desse mundo colossal.
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