O poeta é o lavrador das palavras
que germinam pela terra fértil e escura,
a brotar num sentimento que é a lavra
no canteiro do papel que reformula
o uni-verso conspirante a seu favor
do poema que aflora no papel
como abelhas que produzem o seu mel,
operárias caprichosas ao labor.
O cansaço ainda resiste, cai a noite...
A enxada marca as mãos do lavrador,
o sol forte fere as costas com o açoite
de um sussurro que anuncia a própria dor.
O sucesso da colheita traz na enxada
a vitória frente à terra cultivada.
Insuportavelmente Humano - Julio Cesar Gentil
O homem dorme de seis a oito horas diárias,
porque não consegue aturar a si próprio,
integralmente, vinte e quatro horas por dia.
porque não consegue aturar a si próprio,
integralmente, vinte e quatro horas por dia.
Céu?... Inferno?... - Julio Cesar Gentil
A todos os meus desafetos
que se consideram 'seres de luz'
e herdeiros do 'paraíso eterno'
eu lhes digo, nesse caso,
haverei de me conformar
com as profundezas do inferno.
que se consideram 'seres de luz'
e herdeiros do 'paraíso eterno'
eu lhes digo, nesse caso,
haverei de me conformar
com as profundezas do inferno.
Foguetes à Impunidade: PAZ NO FUTEBOL! - Julio Cesar Gentil
A torcida azurra - zurra, zurra -
nunca foi hospitaleira,
só vive a chorar amarguras,
é explosiva e fogueteira.
Avaiano fogueteiro:
não exploda a minha mão!
Guarde os fogos p'ra São Pedro
e p'ra festa de São João.
O jogo é ganho em campo,
como diz o mandamento.
O resto é puro delírio
do Miguel Livramento.
Avaiano feche a matraca,
pare de se vangloriar,
pois com quase noventa anos
têm só dois na série 'A'.
Eu sou apenas um torcedor
aqui do lado continental
que defende a opinião
da grande massa estadual.
O que importa é saber torcer
com amor e com alegria,
sem esse papo de foguete,
chororô e pancadaria.
O estádio não é um ringue,
ele é a casa do torcedor.
O local onde um time mostra
toda a força do seu valor.
Avaiano vê se respeita
as torcidas catarinenses:
Chapecoense, Criciúma,
Joinville, Figueirense...
E não fique bravo comigo
porque eu não te quero mal,
este poema é só mais um grito
pela PAZ NO FUTEBOL!
nunca foi hospitaleira,
só vive a chorar amarguras,
é explosiva e fogueteira.
Avaiano fogueteiro:
não exploda a minha mão!
Guarde os fogos p'ra São Pedro
e p'ra festa de São João.
O jogo é ganho em campo,
como diz o mandamento.
O resto é puro delírio
do Miguel Livramento.
Avaiano feche a matraca,
pare de se vangloriar,
pois com quase noventa anos
têm só dois na série 'A'.
Eu sou apenas um torcedor
aqui do lado continental
que defende a opinião
da grande massa estadual.
O que importa é saber torcer
com amor e com alegria,
sem esse papo de foguete,
chororô e pancadaria.
O estádio não é um ringue,
ele é a casa do torcedor.
O local onde um time mostra
toda a força do seu valor.
Avaiano vê se respeita
as torcidas catarinenses:
Chapecoense, Criciúma,
Joinville, Figueirense...
E não fique bravo comigo
porque eu não te quero mal,
este poema é só mais um grito
pela PAZ NO FUTEBOL!
Chuva na Praça XV - Julio Cesar Gentil
Ninguém passa pela chuva
nessa praça quando eu passo.
Entre os galhos da figueira,
sabiás cantantes, chorosos,
acompanham os meus passos
a perderem-se entre as pedras
que ornamentam um verde espaço.
Habitat colorido
pelo vaivém dos sanhaços
a embrenharem-se destemidos
entre os cipós, as folhas e os cachos
(que se embaraçam e desembaraçam).
Há natureza em evidência:
plantas, pedras, chuva, pássaros...
Tudo aqui é reverência
a um reino verdificado.
Só mais um momento 'flaneur'
com os passos encharcados
pela chuva que umedece
essa praça quando eu passo.
nessa praça quando eu passo.
Entre os galhos da figueira,
sabiás cantantes, chorosos,
acompanham os meus passos
a perderem-se entre as pedras
que ornamentam um verde espaço.
Habitat colorido
pelo vaivém dos sanhaços
a embrenharem-se destemidos
entre os cipós, as folhas e os cachos
(que se embaraçam e desembaraçam).
Há natureza em evidência:
plantas, pedras, chuva, pássaros...
Tudo aqui é reverência
a um reino verdificado.
Só mais um momento 'flaneur'
com os passos encharcados
pela chuva que umedece
essa praça quando eu passo.
À Palavra - Julio Cesar Gentil
As palavras existem para libertar os sentidos e mover os significados.
Poema de Tanta Gente - Julio Cesar Gentil
Ao longo da minha vida eu andei por lugares e conheci muita gente que já esqueci e outras tantas que lembro sempre.
Eu já andei de ônibus lotado e comi os quitutes mais medonhos pelas ruas gordurosas; eu conheci muita gente: gente com dente e gente sem dente, gente bonita por fora e gente feia por dentro, gente que ajuda gente e gente que pisa na gente.
Eu aprendi a enxergar nessa gente, o bem e o mal que é posto em mim e moldou, pouco a pouco, a forma humana do louco na gente que eu já conheci.
Eu já andei de ônibus lotado e comi os quitutes mais medonhos pelas ruas gordurosas; eu conheci muita gente: gente com dente e gente sem dente, gente bonita por fora e gente feia por dentro, gente que ajuda gente e gente que pisa na gente.
Eu aprendi a enxergar nessa gente, o bem e o mal que é posto em mim e moldou, pouco a pouco, a forma humana do louco na gente que eu já conheci.
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